Renúncia de segundo vice em menos de dois meses termina com indeferimento da chapa a quatro dias da eleição; decisão ainda pode ser contestada
A campanha de Ricardo Marques (PL) chegou ao momento mais crítico da eleição em Sergipe. A quatro dias do primeiro turno, a Justiça Eleitoral declarou inviável a continuidade da candidatura do deputado ao Governo do Estado depois que Érico Menezes renunciou à vaga de vice. A decisão, assinada nesta quarta-feira (30) pela juíza Brígida Declerc Fink, deixa o PL sem candidato ao Palácio dos Despachos neste momento.
O episódio é resultado de uma sequência de mudanças dentro da própria chapa. Érico havia sido escolhido em agosto para substituir Pastora Salete, que também desistiu da candidatura a vice e posteriormente declarou apoio a Valmir de Francisquinho. Menos de dois meses depois, o segundo nome indicado para a vaga também abandonou a disputa.
A situação ganhou um elemento adicional de tensão porque as justificativas apresentadas por Érico para a saída tiveram versões diferentes. Ao anunciar publicamente a renúncia, o então candidato afirmou que precisava se afastar para acompanhar a esposa, que enfrenta um período delicado de saúde. No pedido protocolado à Justiça Eleitoral, porém, declarou que deixava a chapa por não concordar com o posicionamento de Ricardo Marques “quanto ao propósito da candidatura”.
Foi essa renúncia que desencadeou o novo problema jurídico. Segundo o entendimento adotado pela magistrada, governador e vice integram uma chapa única e indivisível. Como o prazo para substituição já havia terminado, não seria possível manter Ricardo Marques sozinho na disputa. A decisão ressalva que não se trata de uma declaração de inelegibilidade pessoal contra o candidato, mas de uma consequência jurídica provocada pela impossibilidade de recompor a chapa.
O timing da decisão torna o episódio ainda mais delicado para o PL. Faltando apenas quatro dias para a votação, qualquer tentativa de reverter o cenário terá de ocorrer em ritmo acelerado. A decisão é passível de recurso e, portanto, o caso ainda não está necessariamente encerrado na Justiça Eleitoral.
Ricardo, entretanto, já havia sinalizado que não pretendia abandonar a disputa após a saída de Érico. Antes mesmo da decisão judicial, afirmou que continuaria em campanha e pediu votos para o número 22 até 4 de outubro.
O novo capítulo transforma uma crise interna da chapa em um problema eleitoral e jurídico de grandes proporções para o partido. Em pouco mais de um mês, Ricardo Marques passou por duas trocas de candidato a vice e agora enfrenta uma decisão que impede, neste momento, a manutenção de sua candidatura.
A questão central deixou de ser apenas quem ocuparia a vaga de vice e passou a ser se o PL conseguirá manter Ricardo Marques na disputa antes da abertura das urnas. O desfecho dependerá dos recursos que ainda podem ser apresentados à Justiça Eleitoral e das decisões tomadas nos próximos dias.

