Senador afirma que acusações contra a Polícia Civil são graves e defende acesso às informações do inquérito para evitar que o caso seja transformado em disputa eleitoral

O senador Delegado Alessandro Vieira (MDB), candidato à reeleição, defendeu nesta quinta-feira (24) que as investigações envolvendo contratos da Prefeitura de Aracaju e a apreensão de R$ 240 mil em espécie sejam conduzidas com ampla transparência. A manifestação ocorre após o também candidato ao Senado André David (Republicanos) acusar o delegado Dernival Eloy de prevaricação e afirmar que a apuração estaria sendo utilizada para atingir sua campanha.

Delegado de carreira, Alessandro afirmou manter confiança na Polícia Civil de Sergipe, mas avaliou que as acusações apresentadas publicamente por André David exigem esclarecimentos. Na avaliação do senador, o acesso às informações é necessário para que o episódio não seja definido apenas por versões apresentadas durante a campanha.

“O candidato André David fez acusações gravíssimas contra a Polícia Civil de Sergipe, afirmando que investigações sobre corrupção na Prefeitura de Aracaju foram manipuladas para influenciar o resultado das eleições. Reforço minha confiança na polícia sergipana, mas é urgente que essa situação seja esclarecida, se possível com a retirada integral do sigilo, para que o eleitor possa fazer suas escolhas corretamente informado”, afirmou Alessandro.

O senador também defendeu que a investigação não seja utilizada como instrumento de confronto político. Para ele, eventuais acusações de perseguição ou direcionamento da apuração precisam ser acompanhadas de elementos que permitam verificar objetivamente o que ocorreu.

“O eleitor sergipano precisa ter acesso à verdade, para que possa fazer a sua escolha corretamente informado. A nossa polícia tem uma longa história de serviços prestados e conta com a confiança do povo de Sergipe, mas o momento exige o máximo de transparência. Sem vitimismo e sem perseguição”, destacou.

A controvérsia envolve ainda uma empresa que possui contratos com a Prefeitura de Aracaju avaliados em R$ 19,57 milhões e que tem entre suas sócias uma cunhada de André David. O vínculo familiar, isoladamente, não demonstra irregularidade. O candidato nega ter participado ou interferido nos contratos, enquanto a Prefeitura afirma não ter identificado, até o momento, indícios de favorecimento ou interferência nas contratações.

Outro eixo da investigação é a apreensão de R$ 240 mil em dinheiro vivo com um ex-servidor da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju. André David sustenta que o dinheiro não tem relação com a empresa pertencente à sua cunhada e questiona a condução do inquérito. O candidato também acusou Dernival Eloy de agir com finalidade política e classificou a operação realizada na secretaria como um “espetáculo”.

A partir das acusações cruzadas, Alessandro defende que a apuração avance sem antecipação de culpa e que documentos protegidos por sigilo sejam disponibilizados quando houver respaldo jurídico para isso. A intenção, segundo o senador, é permitir que a sociedade tenha elementos para avaliar as diferentes versões apresentadas.

“Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Trata-se de respeitar o eleitor. Quem está pedindo a confiança dos sergipanos para ocupar uma cadeira no Senado precisa compreender que transparência não é favor. É obrigação. O eleitor tem o direito de conhecer os fatos e tirar suas próprias conclusões”, afirmou.

O caso permanece em investigação, e as acusações apresentadas pelos candidatos contra a condução da Polícia Civil ainda não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual irregularidade ou manipulação da apuração.

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