Senador acompanha regulamentação do Redata e afirma que definição das fontes de energia será decisiva para transformar protocolos de intenção em investimentos no Estado
A expansão do mercado de data centers pode abrir uma nova frente de investimentos em Sergipe, mas, para o senador Laércio Oliveira, a disponibilidade de energia em quantidade e com fornecimento contínuo será um dos principais fatores para viabilizar esses empreendimentos. Durante a ROG.e 2026, realizada entre os dias 21 e 24 de setembro, no Rio de Janeiro, o parlamentar defendeu que o gás natural seja considerado na regulamentação do novo regime tributário destinado ao setor.
Segundo Laércio, duas empresas já demonstraram interesse em instalar grandes estruturas de data centers em Sergipe e firmaram protocolos de intenções com o Governo do Estado. A expectativa, segundo o senador, é transformar os acordos iniciais em projetos concretos, desde que sejam asseguradas condições adequadas de fornecimento energético.
“Tenho trabalhado intensamente para viabilizar a implantação de data centers em Sergipe e no Brasil. Para o funcionamento desses empreendimentos, é necessária a disponibilidade de grande volume de energia firme e com redundância”, afirmou.
A discussão ganhou espaço após a sanção, em 15 de setembro, do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). A legislação criou incentivos fiscais para empresas que instalarem ou ampliarem estruturas desse tipo no país e estabeleceu exigências relacionadas a pesquisa e desenvolvimento, atendimento ao mercado nacional e sustentabilidade.
Um dos pontos que ainda depende de regulamentação é justamente a definição das condições para o fornecimento de energia aos empreendimentos. A lei determina que a demanda seja atendida por fontes renováveis ou de baixa emissão, e Laércio pretende que o gás natural possa ser incluído entre as alternativas capazes de garantir o fornecimento contínuo necessário às operações.
Durante a tramitação do projeto no Senado, o parlamentar apresentou emendas com esse objetivo. Agora, com a legislação sancionada, ele afirma que pretende acompanhar a regulamentação para evitar que critérios excessivamente restritivos eliminem a possibilidade de utilização do gás natural.
“Defendemos a liberdade para escolha das fontes de energia, dentre todas as existentes. Não podemos permitir que interesses setoriais criem dificuldades para o funcionamento dos data centers e acabem afastando investimentos”, declarou.
A preocupação está relacionada ao próprio funcionamento dessas estruturas. Diferentemente de instalações que podem interromper suas atividades sem grandes impactos, data centers precisam operar continuamente e demandam grandes quantidades de eletricidade. Por isso, além da disponibilidade, a estabilidade do fornecimento é considerada um fator relevante para a definição dos locais onde os empreendimentos serão instalados.
Na avaliação apresentada pelo senador, Sergipe poderia aproveitar a expansão desse mercado para desenvolver uma cadeia mais ampla ligada à tecnologia. A instalação dos data centers, segundo ele, poderia ser acompanhada pela chegada de centros de pesquisa, iniciativas de inovação e programas de formação profissional.
O governador Fábio Mitidieri também entrou nas discussões sobre a regulamentação. Conforme informado por Laércio, o governo estadual encaminhou um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministros envolvidos na regulamentação e à bancada federal sergipana para apresentar as demandas do Estado.
O senador também pediu que os representantes de Sergipe com interlocução junto ao governo federal acompanhem as próximas etapas de definição das regras.
“É preciso unir esforços em defesa dos interesses de Sergipe. Estamos falando de investimentos importantes em data centers, que podem trazer junto centros de pesquisa, unidades de treinamento profissional, tecnologia e novas oportunidades para o Estado”, afirmou.
A regulamentação do Redata ocorre paralelamente à estratégia federal de ampliar a infraestrutura digital brasileira e estimular a distribuição regional dos investimentos. O programa prevê condições específicas para empreendimentos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com o objetivo de ampliar a participação dessas áreas na expansão do setor de data centers.
