Em entrevista, senador relembrou iniciativas apresentadas desde 2019 e destacou emendas participativas como parte de sua atuação parlamentar em Sergipe
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) voltou a colocar a relação entre Legislativo e Judiciário no centro de sua campanha à reeleição. Em entrevista à Metropolitana FM Aracaju, nesta sexta-feira (18), o parlamentar afirmou que a defesa de mecanismos de fiscalização sobre tribunais superiores não é uma pauta recente de seu mandato e relembrou iniciativas apresentadas ainda no primeiro ano de sua passagem pelo Senado.
Segundo registros do próprio Senado, Alessandro participou, em 2019, da articulação para criar uma comissão parlamentar de inquérito destinada a investigar condutas de integrantes das cortes superiores. O requerimento chegou a reunir as assinaturas necessárias, mas acabou arquivado após a retirada de apoiamentos.
Meses depois, em abril daquele ano, o senador apresentou pedidos de impeachment contra os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Na entrevista, ele afirmou que essas iniciativas fazem parte de uma posição que mantém desde o início do mandato e defendeu que eventuais denúncias contra integrantes do Judiciário sejam analisadas pelas instituições competentes.
“Essa é uma pauta permanente. Desde fevereiro de 2019, eu apresentei a CPI da Toga. Dois meses depois, apresentei um pedido de impeachment contra os ministros. Isso está documentado. Eu não comecei agora a falar sobre isso. O que eu defendo é que o Senado faça uma apuração transparente, investigue tudo e, se houver crime, separe quem fez o quê e responsabilize quem tiver que ser responsabilizado. Democracia de verdade é quando todo mundo é igual debaixo da lei”, afirmou.
A defesa de maior independência do mandato também apareceu na entrevista. Alessandro associou essa característica à ausência de compromissos que, segundo ele, possam interferir nas decisões tomadas no exercício do cargo.
“Quem se vende não tem capacidade de fazer a mudança. Eu não tenho processo, não tenho rabo preso e não tenho compromisso com ninguém que não seja com o povo”, declarou.
Na avaliação do senador, a atividade parlamentar deve ser medida pela capacidade de transformar recursos públicos em ações concretas para a população, sem que a destinação de verbas esteja condicionada a alianças eleitorais.
“O dinheiro é do povo, não é do político. Eu fui contratado por oito anos para prestar um serviço. Eu sou empregado da população, não sou dono do voto e não sou dono do dinheiro”, disse.
Entre os exemplos apresentados está o modelo de Emendas Participativas adotado por seu mandato. O mecanismo permite que instituições apresentem projetos e que a população participe da escolha das iniciativas que receberão recursos. A proposta é realizada anualmente e envolve etapas de inscrição, análise técnica e votação popular.
A iniciativa chegou à sétima edição em 2026. Segundo informações divulgadas sobre o processo deste ano, mais de R$ 80 milhões foram destinados por meio do programa ao longo de sete anos, alcançando projetos em dezenas de municípios sergipanos. Na edição de 2026, R$ 13 milhões foram destinados a 80 projetos selecionados após votação popular.
Alessandro afirmou que a experiência representa, na sua avaliação, uma forma diferente de utilizar as emendas parlamentares, transferindo parte da definição das prioridades para a população.
“Eu tenho muito orgulho de ter provado que uma pessoa honesta, que não faz parte de esquema, consegue fazer muita coisa. Consegue trazer recurso, consegue entregar resultado e consegue trabalhar para o povo”, afirmou.
O senador também citou a distribuição de recursos para os 75 municípios de Sergipe e disse que sua cobrança aos gestores locais é pela execução das verbas destinadas às cidades.
“As pessoas dizem: ‘Alessandro ajuda, não pede nada, não tem negócio de troca por voto’. A única coisa que eu peço sempre é: execute o recurso. Atenda o cidadão”.
Ao encerrar a entrevista, Alessandro apresentou o próprio histórico parlamentar como elemento que, segundo ele, deve ser considerado pelo eleitor na decisão sobre a renovação do mandato. O senador defendeu que a comparação entre a atuação dos candidatos seja feita a partir das propostas e dos resultados apresentados durante o período em que ocuparam cargos públicos.
“Eu fui testado nesses oito anos. Meu trabalho está aí, os resultados estão aí, os recursos estão chegando aos municípios, as pessoas estão sendo atendidas. Agora é olhar para o que cada candidato fez, comparar e decidir. O meu mandato está sendo colocado novamente à prova, e eu tenho orgulho dos frutos que esse trabalho trouxe para Sergipe”.

