Durante entrevista, postulante ao Governo do Estado criticou o atual modelo de gestão da saúde e defendeu mudanças na distribuição dos serviços pela rede pública
A concentração de atendimentos de maior demanda na capital foi apontada pelo candidato ao Governo de Sergipe como um dos principais problemas da rede pública estadual. Em entrevista à TV Atalaia nesta terça-feira (15), o candidato defendeu uma reorganização do sistema para ampliar a capacidade dos hospitais regionais e fazer com que pacientes do interior tenham acesso a mais serviços sem precisar se deslocar até Aracaju.
Ao comentar o cenário atual, o candidato fez críticas à administração estadual e citou reclamações atribuídas a profissionais e usuários. Entre os pontos mencionados estão pagamentos a cirurgiões, a gestão de unidades hospitalares e a participação de organizações sociais na administração de serviços públicos.
“Saúde de Sergipe, você vê que está um caos absoluto. Reclamação dos cirurgiões, que não estão recebendo, as pessoas nos hospitais, a saúde do Hospital do Câncer sendo entregue à iniciativa privada, privatizando, tomando empréstimo. Aí, desde lá do Marcelo Déda, com o Hospital do Câncer, o governador privatizou, foi o único licitante que agora, R$ 36.577.000,00, está entregando os hospitais, os serviços, às OSs, às organizações sociais”, afirmou.
Como contraponto ao modelo que criticou, o candidato apresentou uma proposta baseada na descentralização da assistência. A ideia é ampliar a estrutura dos hospitais regionais e transferir para essas unidades parte dos procedimentos atualmente concentrados na capital.
“Nós vamos construir um outro hospital regional, vamos descentralizar a saúde nos hospitais regionais para levar o serviço de médio, pequeno porte, procedimentos para os hospitais regionais. Você fortalecer os hospitais regionais, aí você vai ter um atendimento de qualidade de saúde no estado. Se não for assim, não vamos ter”, pontuou.
Dentro dessa proposta, o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) teria sua atuação concentrada principalmente em atendimentos de urgência, trauma e casos de alta complexidade. A mudança teria como objetivo reorganizar o fluxo de pacientes e reduzir a pressão sobre a principal unidade hospitalar de referência do estado.
Ao mesmo tempo, os hospitais regionais seriam preparados para ampliar a oferta de consultas especializadas, exames, cirurgias e outros procedimentos de menor e média complexidade. A estratégia apresentada também prevê a construção de uma nova unidade regional.
A proposta tem como eixo central aproximar os serviços da população do interior. Com uma rede regional mais estruturada, o candidato defende que pacientes possam realizar parte dos atendimentos, exames e procedimentos em municípios mais próximos de onde vivem, reduzindo a necessidade de deslocamento para Aracaju.
A reformulação defendida durante a entrevista, portanto, passa por uma mudança na distribuição das responsabilidades dentro da rede estadual: enquanto o Huse ficaria mais direcionado aos casos de maior gravidade e complexidade, as unidades regionais assumiriam uma parcela maior da assistência especializada e dos procedimentos eletivos.
