Candidato ao Governo defende revisão da concessão da Deso, criação de uma política de “Fila Zero” e expansão da irrigação como estratégia de desenvolvimento do interior
Com uma campanha construída sobre a promessa de romper com práticas tradicionais da política sergipana, Ricardo Marques (PL) apresenta como principal bandeira para o Governo de Sergipe uma mudança no modelo de administração pública. O candidato defende maior controle sobre contratos, metas para as secretarias e acompanhamento dos resultados, além de políticas específicas para saúde, segurança, mobilidade e desenvolvimento regional.
Para o candidato, a primeira etapa de uma eventual gestão seria conhecer detalhadamente a situação financeira e administrativa do Estado. A proposta prevê um levantamento de receitas, despesas, contratos e serviços públicos para identificar desperdícios e definir prioridades.
A intenção, segundo Marques, é estabelecer metas para cada área do governo e tornar os resultados acompanháveis pela população. A ideia parte da avaliação de que o problema da administração pública não está apenas na quantidade de recursos disponíveis, mas na maneira como eles são utilizados.
Na saúde, uma das principais propostas apresentadas é a criação de uma política denominada “Fila Zero”. O projeto teria como foco reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias por meio da integração dos sistemas de informação, reorganização da regulação e contratação de serviços quando a estrutura pública não for suficiente para absorver a demanda.
A expansão dos hospitais regionais também está entre as propostas. Marques afirma que novas unidades deverão ser definidas a partir de critérios como população atendida, distância dos centros de referência e demanda existente. A promessa é evitar a construção de estruturas sem profissionais, equipamentos ou recursos para manutenção.
“Não quero inaugurar hospital com placa bonita e corredor vazio. Quero inaugurar unidades que façam cirurgia, tenham diagnóstico, especialistas e resolvam o problema do paciente na região onde ele mora”, afirmou.
Para a segurança pública, o candidato defende uma combinação de policiamento ostensivo, inteligência e investigação. Entre as medidas estão o mapeamento das áreas com maior incidência criminal, integração entre as forças de segurança e definição de metas para redução dos índices de violência.
A valorização dos profissionais também aparece como parte da proposta. Marques fala em planejamento do efetivo, realização de concursos quando houver necessidade, melhoria das condições de trabalho e equipamentos adequados, além de uma política permanente de valorização salarial condicionada à responsabilidade fiscal.
Um dos temas que ocupa espaço central no programa é o abastecimento de água. Crítico ao atual modelo de concessão da Deso, Marques afirma que sua prioridade será fiscalizar o cumprimento das obrigações assumidas pela empresa responsável pelo serviço.
A proposta inclui cobrança de metas de universalização, qualidade e regularidade do abastecimento, além da criação de uma tarifa social destinada às famílias de menor renda. O candidato também defende que consumidores não sejam cobrados integralmente quando o serviço de abastecimento não for efetivamente prestado.
“Água é serviço essencial. O que não podemos aceitar é uma família pagar uma conta cada vez mais cara e continuar tendo problemas de abastecimento”, declarou.
Para a Grande Aracaju, a principal aposta seria uma política de integração metropolitana. O candidato aponta mobilidade, transporte e planejamento urbano como problemas que não poderiam ser solucionados isoladamente pelas prefeituras, já que milhares de pessoas circulam diariamente entre diferentes municípios da região.
No interior, a proposta apresentada por Marques recebeu o nome de “Sergipe Irrigado”. O projeto pretende ampliar a infraestrutura hídrica e estimular a irrigação, o acesso ao crédito, o uso de tecnologia e a agroindustrialização como mecanismos de geração de renda e fortalecimento da produção.
A distribuição dos investimentos estaduais, segundo o candidato, deverá considerar fatores como população, vulnerabilidade social, déficit de infraestrutura e potencial econômico, evitando a concentração de recursos nos maiores municípios.
Na relação com Brasília, Marques afirma que sua posição ideológica não deverá impedir a busca por investimentos federais. Embora seja apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato diz que manterá diálogo institucional com qualquer governo que esteja no comando do país.
“Se Lula for presidente, eu vou tratar o presidente da República como presidente da República. Se outro presidente estiver lá, será da mesma maneira”, afirmou.
A mesma lógica, segundo ele, seria aplicada à Assembleia Legislativa. Marques diz que pretende construir uma base por meio do diálogo e da negociação de projetos, mas rejeita a utilização de recursos públicos como instrumento de troca por apoio político.
Na corrida eleitoral, o candidato reconhece que ainda está distante dos primeiros colocados nas pesquisas, mas considera que existe espaço para crescimento entre eleitores que ainda não definiram o voto. Marques também afirma que levantamentos recentes já registraram evolução de sua candidatura.
“Cinco por cento hoje não determina o resultado da eleição”, disse.
A estratégia apresentada pelo candidato busca, assim, combinar o discurso de oposição com propostas voltadas para problemas concretos do estado. Em vez de concentrar a campanha exclusivamente na disputa ideológica nacional, Marques afirma que pretende colocar questões como abastecimento, atendimento médico, segurança, mobilidade e desenvolvimento do interior no centro de um eventual governo.
Para resumir o projeto, ele escolhe uma frase: “Fazer o sergipano voltar a ter orgulho de ser sergipano.”

