Senador sergipano afirma que pressão pelo afastamento do ministro do STF já alcança municípios e defende que Alcolumbre leve o tema ao colégio de líderes
A pressão para que o Senado dê andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou um novo defensor dentro da própria Casa. O senador Laércio Oliveira (PP-SE) afirmou nesta terça-feira (8) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deveria convocar uma reunião de líderes para discutir o futuro das solicitações contra o magistrado.
Em entrevista à CNN, Laércio afirmou que o assunto deixou de estar restrito ao ambiente político de Brasília e passou a aparecer nas cobranças que recebe durante viagens pelo estado. Segundo o senador, a demanda pelo avanço dos processos estaria chegando inclusive a municípios pequenos.
“Por todo canto que a gente anda, por menor que seja o município, há sempre uma cobrança da sociedade quando é que vocês vão enfrentar o impeachment de Moraes? E não são pessoas muito esclarecidas não. Então chegou a hora de avançarmos com esse processo”, declarou.
Moraes acumula 55 pedidos de impeachment protocolados no Senado. A decisão sobre dar ou não andamento às denúncias está nas mãos da presidência da Casa, atualmente comandada por Alcolumbre, que até o momento não indicou disposição de colocar o tema em tramitação.
Para Laércio, justamente por envolver uma decisão com potencial de repercussão nacional, Alcolumbre não deveria conduzir o assunto isoladamente. A sugestão do senador é que a questão seja submetida aos principais líderes partidários e à Mesa Diretora antes de qualquer encaminhamento.
“A gente pode dar o suporte e decidir pelo encaminhamento. Mas para mim seria mais confortável levar essa discussão para os líderes partidários”, afirmou.
O parlamentar também fez uma avaliação sobre o peso político da decisão que está nas mãos do presidente do Senado. Na visão dele, qualquer iniciativa relacionada aos pedidos contra Moraes pode produzir consequências que ultrapassam o Congresso.
“A crise aumenta a cada dia que passa e seria de bom tom chamar o colégio de líderes e a mesa diretora para ver o encaminhamento. Qualquer movimentação do Alcolumbre impacta o Brasil. A responsabilidade de um presidente do Congresso é grande”, disse.
Laércio Oliveira não é apenas um defensor externo da abertura da discussão. O senador assinou um dos pedidos de impeachment apresentados contra Moraes, protocolado pelo senador Alessandro Vieira. Na semana passada, ele já havia defendido uma articulação entre as lideranças do Senado para tentar destravar a análise dos processos.
A movimentação ocorre em meio ao aumento da tensão entre setores do Congresso e o Supremo. Com dezenas de pedidos acumulados e sem uma definição sobre o encaminhamento, a pressão agora se concentra sobre Alcolumbre, que precisa decidir se manterá os requerimentos sem avanço ou se abrirá espaço institucional para que os líderes debatam o assunto.
Para os defensores do impeachment, uma reunião poderia dividir a responsabilidade política sobre uma decisão de grande impacto. Para o comando do Senado, qualquer movimento também envolve o risco de aprofundar o confronto entre Legislativo e Judiciário.

