G3 Empreendimento, de propriedade da filha do ex-deputado Manuel Marcos, firmou oito contratos com órgãos estaduais desde 2024; governo e empresa negam irregularidades
Mais de R$ 70 milhões em contratos firmados com o Governo de Sergipe desde 2024 colocaram no centro das atenções uma empresa ligada à família de um aliado político do governador Fábio Mitidieri (PSD).
Trata-se da G3 Empreendimento, pertencente a Fernanda Fontes Santana, filha do ex-deputado estadual Manuel Marcos (PSD), que mantém aliança política com o governador.
Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, a empresa celebrou oito contratos com diferentes órgãos da administração estadual nos últimos anos. Entre os negócios está uma contratação emergencial realizada pela Casa Civil em abril de 2024, sem a necessidade de licitação, no valor aproximado de R$ 5,3 milhões.
Nos registros oficiais, a operação consta como contratação direta emergencial.
No ano seguinte, a G3 voltou a aparecer em uma negociação de valor significativamente maior. Em 2025, a empresa venceu um pregão eletrônico de aproximadamente R$ 54 milhões para a prestação de serviços terceirizados, incluindo atividades de conservação e limpeza. O processo foi homologado em maio daquele ano.
Considerando os oito contratos mencionados no levantamento, os valores ultrapassam R$ 70 milhões.
A relação familiar com um aliado político do governador, somada ao volume dos contratos, passou a levantar questionamentos sobre a forma como os negócios foram realizados e sobre a distribuição dos recursos públicos. Isso, porém, não significa que tenha sido identificada ou comprovada alguma irregularidade.
O Governo de Sergipe afirma que os processos de contratação respeitaram as exigências previstas na legislação. A G3 Empreendimento também nega qualquer irregularidade e declara possuir capacidade técnica e financeira para executar os serviços contratados.
O caso coloca em evidência não apenas os valores envolvidos, mas também o percurso administrativo dessas contratações: quais órgãos participaram dos processos, quais modalidades foram utilizadas e quais critérios levaram à escolha da empresa.
Por enquanto, os contratos permanecem no campo dos fatos documentados e dos questionamentos sobre sua execução e origem, sem comprovação, no material apresentado, de ilegalidade.

