Uma declaração do candidato ao Senado por Sergipe, Coronel Rocha (PL), abriu um debate sobre a utilização de estatísticas de segurança pública durante a campanha eleitoral. Em entrevista concedida ao programa 103 Notícias, o candidato afirmou que mulheres matam mais companheiros do que homens matam mulheres, atribuindo essa conclusão a dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A afirmação foi imediatamente questionada pelos apresentadores, que contestaram a interpretação apresentada e citaram informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Mesmo diante da contestação, Coronel Rocha manteve o posicionamento e afirmou que posteriormente apresentaria os dados que embasariam sua declaração.
Durante a entrevista, o candidato também argumentou que nem todas as mortes de mulheres são classificadas como feminicídio e defendeu que a discussão sobre violência doméstica precisa considerar diferentes contextos. No entanto, ele não apresentou, naquele momento, o levantamento mencionado.
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, que reúne informações referentes a 2024, não apontam que mulheres sejam responsáveis por mais homicídios de companheiros do que homens por homicídios de mulheres. O levantamento registra que, nos casos em que foi possível identificar o autor da morte, homens aparecem como maioria entre os responsáveis por mortes violentas de vítimas de ambos os sexos.
Após a repercussão da entrevista, a reportagem da CartaCapital informou que procurou Coronel Rocha para esclarecer qual estudo sustentava a declaração e se ele mantinha a afirmação feita durante o programa. Até a publicação da matéria, não havia resposta do candidato.
Coronel Rocha disputa uma das vagas ao Senado na chapa encabeçada por Ricardo Marques (PL). Policial militar da reserva, ele também exerceu funções na área de inteligência da Polícia Militar, na Guarda Municipal de Aracaju e na Secretaria de Justiça e Cidadania de Sergipe.
O episódio ocorre em meio à campanha eleitoral, período em que indicadores de segurança pública e violência têm sido frequentemente utilizados por candidatos para defender propostas e criticar adversários. Casos como esse reforçam a importância da comparação entre declarações públicas e os dados divulgados por órgãos oficiais e instituições de pesquisa, especialmente quando o tema envolve estatísticas sobre criminalidade e violência contra a mulher.
