Vereador de Aracaju afirmou que comentário do presidente pode gerar interpretações inadequadas e relatou preocupação como pai de duas meninas
Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a relação de mulheres com exames médicos provocou reação na Câmara Municipal de Aracaju nesta quarta-feira (30). Durante pronunciamento no plenário, o vereador Pastor Diego (União Brasil) questionou a forma como o presidente abordou o tema e defendeu maior cautela ao tratar publicamente de assuntos relacionados à saúde feminina e infantil.
O comentário de Lula havia sido feito na segunda-feira (28), durante uma agenda em Belém (PA). Na avaliação do vereador, a maneira como a declaração foi apresentada poderia abrir espaço para interpretações consideradas inadequadas e gerar desconforto entre mulheres e famílias.
“Eu não sei mais o que está passando na cabeça do presidente da República. Uma fala como essa demonstra falta de senso, zelo e responsabilidade para tratar de um assunto tão sensível”, declarou Pastor Diego na tribuna.
Ao criticar a fala presidencial, o vereador levou o debate para sua experiência familiar. Pai de duas meninas, ele afirmou que crianças não devem ser associadas à ideia de que precisam se acostumar a contatos físicos como preparação para consultas médicas.
“Eu tenho duas filhas pequenas. Minhas filhas não são tocadas. Quando uma criança vai ao médico, ela vai para ser avaliada, acompanhar o desenvolvimento e cuidar da saúde. Criança não é tocada por ninguém”, afirmou.
Pastor Diego também contestou a forma como Lula teria estabelecido uma comparação entre exames realizados por homens e mulheres. Para o parlamentar, procedimentos médicos precisam ser tratados dentro do contexto da avaliação clínica e dos cuidados com a saúde.
“Mulher não vai ao médico para ser tocada. Ela vai fazer exame, cuidar da saúde e verificar como está sua saúde feminina. Isso é um procedimento médico, não um simples ‘toque’”, disse.
O vereador ainda mencionou o constrangimento que alguns exames podem causar e afirmou que experiências pessoais com familiares reforçam, em sua avaliação, a necessidade de cuidado na escolha das palavras utilizadas por autoridades públicas.
“Eu tenho esposa e filhas e sei o quanto determinados exames podem ser difíceis e constrangedores para uma mulher. Por isso, uma fala como essa exige mais empatia, sensibilidade e responsabilidade”, ressaltou.
No fim do pronunciamento, Pastor Diego ampliou a crítica para o campo político e afirmou acreditar que uma declaração semelhante feita por um político identificado com a direita teria provocado uma reação mais intensa.
“Se fosse um homem da direita ou um conservador fazendo uma declaração dessa natureza, certamente haveria uma reação muito maior”, concluiu.

