Candidato ao Senado questiona condução da investigação e afirma que Polícia Civil estaria direcionando suspeitas para empresa ligada à sua cunhada
O candidato ao Senado André David (Republicanos) voltou a questionar publicamente a investigação sobre os R$ 240 mil apreendidos em espécie com um ex-servidor da Secretaria Municipal de Educação de Aracaju. Em vídeo publicado nesta quinta-feira (24), o delegado afirmou que a origem dos recursos estaria relacionada à BK Telecom, e não à empresa MF Comércio, ligada à sua cunhada. A acusação foi apresentada por David como uma informação que, segundo ele, já seria conhecida pelos investigadores.
A manifestação ocorre cerca de três meses depois da apreensão e coloca novamente o candidato em confronto com o delegado Dernival Eloy, responsável pela investigação. David sustenta que, durante esse período, as apurações teriam mantido o foco sobre a MF Comércio, enquanto a BK Telecom não teria sido incluída nas suspeitas divulgadas publicamente.
“A empresa que sacou o dinheiro e mandou entregá-lo em espécie ao ex-servidor foi a BK TELECOM, uma empresa de tecnologia que atua em vários órgãos públicos, inclusive no Governo de Sergipe. Não estou fazendo suposições. Estou afirmando com todas as letras: a polícia sabe que foi a BK”, declarou o candidato.
Para sustentar a cobrança, André David apresentou durante o vídeo documentos relacionados à atuação da BK Telecom junto ao poder público. Entre eles está o Contrato nº 03/2025, firmado por meio de dispensa emergencial com a Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplan) do Governo de Sergipe.
O contrato prevê o fornecimento de links de internet dedicados e tem valor global informado de R$ 6,8 milhões. Segundo os documentos apresentados pelo candidato, a contratação ocorreu sem disputa eletrônica, com a definição dos preços baseada em três orçamentos.
David também levantou questionamentos sobre as empresas consultadas para a formação da cotação. Segundo ele, duas delas teriam apresentado propostas na mesma data, em 30 de setembro de 2025.
Uma das empresas citadas é a Seta Micros, registrada em endereço no Centro de Fortaleza (CE). O candidato afirma que uma consulta ao local teria indicado ausência de atividade empresarial aparente no imóvel. A outra é a Portal Sat Comércio e Serviços, sediada em Brumado, na Bahia, cuja atividade divulgada inclui serviços de internet e streaming.
A partir dessas informações, David questionou os critérios utilizados pelo governo para selecionar as empresas que participaram da pesquisa de preços e levantou dúvidas sobre a contratação da BK. Essas alegações foram apresentadas pelo próprio candidato e não equivalem, por si só, a uma conclusão de irregularidade no contrato.
O episódio dos R$ 240 mil ganhou dimensão política porque uma das linhas de investigação mencionadas anteriormente envolvia a MF Comércio, empresa pertencente à cunhada de André David. O candidato afirma que essa associação não se sustenta e cita manifestação do Ministério Público Estadual contrária à realização de buscas na empresa por falta de elementos que a relacionassem ao dinheiro apreendido.
Outro ponto levantado por David é a cronologia dos contratos. Ele contesta a versão de que um contrato envolvendo a empresa de sua cunhada teria sido firmado pouco antes da apreensão. De acordo com sua manifestação, a assinatura da secretária Edna Amorim ocorreu em 25 de junho, dois dias depois da ação policial.
O candidato também cobrou esclarecimentos sobre outros aspectos do episódio, como a origem bancária do dinheiro, a identidade de quem teria realizado o saque e a participação do motorista responsável pelo transporte dos valores. Questionou ainda por que o motorista não teria sido detido ou tido o celular apreendido no momento da abordagem.
No encerramento do vídeo, André David direcionou críticas ao delegado Dernival Eloy e acusou o responsável pelo inquérito de agir para prejudicá-lo politicamente.
“Delegado Dernival Eloy: abra o jogo. Mostre a empresa. Você prevaricou! Pare com as insinuações feitas só para manchar a minha imagem e atingir a minha campanha. Eu não devo, e por isso não temo. Não vou recuar”, afirmou.
Até o momento, as declarações de André David representam a versão apresentada pelo candidato sobre a origem do dinheiro e a condução da investigação. A Polícia Civil não apresentou, nas fontes consultadas, uma resposta específica às novas acusações feitas no vídeo. As apurações sobre os R$ 240 mil continuam em andamento.

