Prefeita de Aracaju afirma que questionar operações é legítimo em uma democracia e pede que suspeitas sobre contratos sejam apuradas com o mesmo critério em todo o Estado
A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, reagiu às declarações do governador Fábio Mitidieri sobre as investigações que envolvem a administração municipal e deslocou o debate para dois pontos: o direito de questionar ações das forças de segurança e a necessidade de melhores condições para os policiais civis de Sergipe.
A manifestação ocorreu durante uma entrevista concedida no local de concentração de uma carreata de campanha de Valmir de Francisquinho, candidato ao governo estadual apoiado pela prefeita.
Emília afirmou que sua experiência na Defensoria Pública influencia sua relação com os órgãos que integram o sistema de Justiça. Ela disse respeitar as polícias Civil e Federal, mas ressaltou que o respeito às instituições não impede questionamentos sobre a atuação delas.
“Eu venho de uma instituição. Venho da Defensoria Pública, que faz parte do sistema de Justiça. Sempre defendi e respeito demais a polícia, seja ela civil ou federal. Mas questionar é um direito de qualquer cidadão em uma democracia”, declarou.
A prefeita também contestou a forma como o governador tem defendido a atuação policial. Para Emília, a valorização das forças de segurança deve incluir medidas concretas voltadas aos profissionais que trabalham nas ruas, e não apenas manifestações públicas de apoio às instituições.
“Essa polícia que ele chama de ‘nossa polícia’, eu respeito. Agora, ele não respeita como deveria. Sabe por quê? Porque ele não cuida desses policiais. Ele não tem valorizado os policiais civis como nós valorizamos a nossa Guarda Municipal, nem os professores como nós valorizamos os nossos”, afirmou.
Na sequência, a prefeita associou a defesa das instituições à necessidade de garantir estrutura e reconhecimento aos servidores.
“Respeitar a polícia também é valorizar o policial, dar condições de trabalho, reconhecer seus direitos e cuidar de quem está todos os dias nas ruas protegendo a população”, acrescentou.
Emília também procurou afastar a interpretação de que suas críticas representariam uma tentativa de impedir ou deslegitimar as investigações. Segundo ela, eventuais irregularidades devem ser apuradas e, caso sejam comprovadas, os responsáveis devem responder.
O questionamento apresentado pela prefeita está relacionado, principalmente, ao momento e à concentração das ações na capital sergipana. Ela afirmou que considera legítimo perguntar por que as operações estão concentradas em Aracaju durante o período eleitoral.
“Nós somos a favor das investigações, do início ao fim. Se houver qualquer irregularidade, que seja apurada e que os responsáveis respondam. Mas estamos em um período eleitoral e temos 75 municípios em Sergipe. É legítimo perguntar por que somente Aracaju está sendo alvo nesse momento. Eu não estou afirmando nada, estou indagando. E questionar é democracia”, disse.
A prefeita ainda defendeu que eventuais suspeitas envolvendo contratos públicos sejam analisadas independentemente de qual administração esteja envolvida. Ao mencionar informações divulgadas sobre contratos do governo estadual, Emília afirmou que não pretende impedir investigações contra a Prefeitura, mas quer que o mesmo padrão seja aplicado a outras gestões.
“Eu não quero que deixem de investigar Aracaju. Quero que investiguem todos. Se existe suspeita sobre contrato público, que se apure onde quer que seja. O que eu defendo é a mesma régua para todos”, declarou.
Ao final, Emília reafirmou que mantém sua confiança nas instituições responsáveis pelas investigações e apresentou suas críticas como uma cobrança por tratamento isonômico entre as administrações públicas e por políticas de valorização dos profissionais da segurança.

