Delegado Alessandro apresentou ações do mandato e defendeu novos investimentos em energia, qualificação profissional e mecanismos de controle entre os Poderes

O debate entre candidatos ao Senado realizado pela FM Sergipe nesta quarta-feira (23) levou para a mesma mesa temas ligados ao desenvolvimento econômico, educação, meio ambiente e funcionamento das instituições. Entre os participantes, o senador e candidato à reeleição Delegado Alessandro (MDB) utilizou parte de suas intervenções para apresentar ações atribuídas ao atual mandato e defender novas medidas para Sergipe.

A exploração de petróleo e gás abriu uma das discussões. Ao responder a Iran Barbosa (PSOL), Alessandro destacou sua atuação nas articulações relacionadas à retomada dos investimentos da Petrobras em Sergipe. Segundo o senador, o novo ciclo do setor pode gerar oportunidades econômicas, desde que acompanhado por qualificação profissional e atração de empresas para o estado.

“A retomada dos investimentos em petróleo e gás em Sergipe contou com a minha participação direta, trabalhando pelo retorno da Petrobras ao estado e garantindo a viabilidade jurídica e econômica de aportes que superam R$ 60 bilhões”, afirmou.

Alessandro também citou uma estimativa de aproximadamente 20 mil empregos relacionados à expansão das atividades e defendeu que Sergipe se prepare para um cenário posterior à exploração dos combustíveis fósseis. Ele mencionou investimentos em fontes renováveis, especialmente energia solar e eólica, como parte dessa estratégia.

A discussão ambiental apareceu em seguida, durante pergunta feita por Rodrigo Valadares (PL). Alessandro sustentou que regras de proteção ambiental podem coexistir com projetos de desenvolvimento econômico e citou iniciativas relacionadas à recuperação de áreas degradadas e à adaptação dos municípios às mudanças climáticas.

“É preciso compatibilizar as duas coisas até porque a gente tá falando de patrimônio de futuras gerações, o meio ambiente é um patrimônio de quem tá chegando”, disse.

O senador também mencionou discussões envolvendo o litoral sergipano e afirmou que medidas foram adotadas para permitir investimentos associados ao turismo sem comprometer áreas naturais. “Não faz sentido destruir patrimônio natural a pretexto de criar empregos”, declarou.

Na área educacional, o candidato destacou sua participação nas discussões do Plano Nacional de Educação para o período de 2026 a 2036. Segundo Alessandro, sua equipe contribuiu para a inclusão de 20 emendas no texto final do plano. Ele também citou recursos destinados aos novos campi de instituições de ensino superior em Estância e Propriá.

Ao tratar da carreira dos professores, Alessandro defendeu que a valorização profissional não deve se limitar à remuneração e incluiu a formação continuada entre as medidas necessárias para melhorar a educação.

“A qualificação docente vai além da questão salarial. É urgente tornar a carreira docente atrativa e oferecer formação contínua, para que o professor consiga engajar os estudantes. Se não prepararmos nossos jovens para o mercado de trabalho em constante transformação, estaremos limitando suas perspectivas futuras”, afirmou.

O funcionamento das instituições brasileiras foi outro ponto de maior confronto entre os participantes. Alessandro voltou a defender uma atuação mais efetiva do Senado na fiscalização do Supremo Tribunal Federal e criticou o uso de decisões monocráticas por ministros da Corte. Ao mesmo tempo, afirmou que eventuais conflitos entre os Poderes devem ser solucionados por mecanismos institucionais.

As investigações relacionadas ao Banco Master também entraram no debate. Alessandro defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a origem e a destinação dos recursos envolvidos no caso.

“É preciso uma investigação ampla para esclarecer à nação a origem, o destino e a finalidade desses recursos. Sem distinção ideológica, pois a corrupção não é uma questão de esquerda ou direita”, afirmou.

O senador também relacionou o tema à necessidade de ampliar os mecanismos de controle sobre o Judiciário. Segundo ele, eventuais mudanças deveriam alcançar inclusive o processo de indicação e sabatina de ministros do Supremo.

O debate teve quatro blocos, com perguntas entre os próprios candidatos, temas previamente definidos, questões de livre escolha e considerações finais. Além de Alessandro, participaram Iran Barbosa e Rodrigo Valadares. Outros candidatos convidados não participaram: alguns haviam confirmado presença, enquanto outros optaram por não comparecer. Coronel Rocha esteve na emissora, mas foi impedido de participar por descumprir uma regra sobre vestimenta.

Nas considerações finais, Alessandro fez um balanço de sua atuação parlamentar e citou mais de R$ 1,1 bilhão em recursos destinados a Sergipe ao longo dos oito anos de mandato, segundo os números apresentados por sua campanha. Entre os exemplos mencionados estão verbas para saúde, segurança pública, educação e infraestrutura.

O candidato também voltou a criticar a ausência dos demais concorrentes. Para ele, os debates permitem que o eleitor compare diretamente propostas e trajetórias antes da escolha dos dois representantes que Sergipe elegerá para o Senado.

“O debate é um momento fundamental para a escolha do eleitor. É quando você vê um confronto de ideias, de perfis e, mesmo que seja um confronto agressivo, ainda assim é importante que você conheça mais os seus candidatos”, afirmou.

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