Os primeiros registros financeiros da campanha de Valmir de Francisquinho (Republicanos) ao Governo de Sergipe colocaram sob os holofotes a relação entre fornecedores contratados pela candidatura e pessoas que ocupam cargos comissionados na Prefeitura de Aracaju.
Segundo os dados apresentados à Justiça Eleitoral, Valmir declarou o recebimento de R$ 160 mil em recursos do fundo partidário. Entre as despesas registradas, aparece um pagamento de R$ 220 mil à GS Contadores Associados, empresa que tem como responsável Gilson Soares dos Santos.
Gilson ocupa atualmente o cargo de diretor financeiro da Procuradoria-Geral do Município de Aracaju. Ele integra a estrutura da administração da prefeita Emília Corrêa, que também preside o Republicanos em Sergipe, partido de Valmir.
A coincidência entre as estruturas partidária, eleitoral e administrativa é o principal ponto levantado sobre os contratos. O registro, por si só, não indica irregularidade, mas a proximidade entre os envolvidos chama atenção para a necessidade de transparência sobre a prestação dos serviços e a origem e aplicação dos recursos eleitorais.
Gilson chegou à diretoria financeira da PGM após ser nomeado pelo procurador-geral do município, Hunaldo Mota. Antes de integrar a gestão municipal, Hunaldo havia atuado como advogado do empresário Edivan Amorim, figura de influência dentro do grupo político ligado ao Republicanos.
A mesma empresa também aparece na prestação de contas de Eduardo Amorim, candidato ao Senado pelo Republicanos e irmão de Edivan. Nesse caso, o contrato informado à Justiça Eleitoral para os serviços contábeis é de R$ 35 mil.
Outro vínculo chama atenção na campanha de Eduardo. O candidato declarou uma despesa de R$ 50 mil com serviços advocatícios de Juliana Cordeiro Correia da Mota, que foi sua ex-assessora parlamentar e é esposa de Hunaldo Mota.
Juliana também ocupa um cargo comissionado na Prefeitura de Aracaju. De acordo com as informações apresentadas, ela está vinculada à Secretaria Municipal da Educação, comandada por Edna Amorim, irmã de Eduardo e Edivan Amorim.
A sequência de relações profissionais faz com que nomes ligados à administração municipal apareçam também na estrutura das campanhas de integrantes do mesmo grupo político.
Outro elemento citado no contexto é a relação anterior entre Hunaldo Mota e a campanha de Emília Corrêa. Em 2024, segundo as informações apresentadas, ele recebeu aproximadamente R$ 350 mil pela atuação profissional durante a campanha eleitoral da atual prefeita. Posteriormente, passou a integrar a administração municipal.
A concentração desses vínculos não permite, isoladamente, concluir pela existência de irregularidades eleitorais. Os contratos precisam ser analisados à luz das regras de prestação de contas, da efetiva realização dos serviços e da legislação que disciplina a utilização de recursos públicos e partidários.
O episódio, porém, abre um debate sobre a separação entre estrutura partidária, administração pública e financiamento eleitoral. Quando os mesmos personagens aparecem simultaneamente em cargos públicos, campanhas e contratos eleitorais, aumenta a necessidade de clareza sobre a natureza de cada relação e sobre os serviços efetivamente prestados.
A prestação de contas eleitoral deverá permitir o acompanhamento desses gastos e a análise, pela Justiça Eleitoral, da regularidade dos contratos declarados pelas campanhas.
